Sobre Daniel Bonfim

Ainda não sei.

CASAL ‘O BONITO DO CAMINHO’ PEDALOU DE FLORIPA AO URUGUAI COM SUA CACHORRA ESTOPA NA CARROCINHA

Ismael e Karina criaram um canal no youtube para registrar a aventura

POR DANIEL BONFIM

Era  o jeito. Quando o casal de catarinenses Ismael Godoy e Karina Ferreira, ambos 23 anos, decidiram que queriam fazer uma viagem para o Uruguai imediatamente tiveram uma certeza: eles iriam de bicicleta. O principal motivo? Grana. Nem um dos dois tinha a quantia necessária para comprar passagens de avião, alugar um carro, ir de ônibus ou qualquer outro método de transporte tradicional. Os dois se conheceram enquanto  estudavam na UFSC em 2013, ele estava terminando o curso de Design e ela estava cursando Ciências Sociais. Hoje ele trabalha em uma distribuidora de livros em espanhol e ela é fotógrafa freelance. A bicicleta já era o meio de transporte “oficial” do casal dentro da cidade há algum tempo, eles perceberam que, por estarem acostumados a pedalar todo dia, fazer distâncias mais longas não seria um grande problema.

Então pronto: com duas bicicletas cheias de bagagem e ainda a carrocinha para levar junto a “cachorra da família” Estopa, eles partiram de Florianópolis no dia 17 de janeiro de 2015 sem uma rota muito definida, mas com a certeza de que o pedalar iria apontar as direções e apresentar as surpresas do caminho. Para incrementar ainda mais o desafio, eles resolveram transformar toda essa experiência em um projeto audiovisual chamado O Bonito do Caminho, um canal no youtube em que o casal ia contando com vídeos como estava sendo a viagem aventurosa.

Nos 35 dias até chegar em Montevideo foram 1500 km percorridos: 1000 km pedalando, 200 km de ônibus e 300 km na boleia do caminhão do seu Ari, que ofereceu uma carona depois de conhecer o casal em uma das curvas da estrada. “Acho que talvez um grande trunfo de viajar de bicicleta é a receptividade que o pessoal tem contigo. Eles vem você ali com aquela bicicleta toda cheia dos apetrechos e vem puxa papo. E ai a gente tinha a Estopa ainda. O pessoal vinha ‘ah, vocês estão viajando de bicicleta e… o quê? E essa cachorra?’, ficavam assustados e aí é sempre um ponta pé inicial pra talvez conseguir alguma ajuda. O pessoal te convida pra tomar banho na casa deles, te dá um café, é muito bom.”

Tomamos um café com O Bonito do Caminho para saber um pouco mais sobre a viagem. Assista:

 

Essa receptividade das pessoas era também um termômetro pra saber quanto tempo eles iam ficar em cada lugar. Teve uma cidade em que eles chegaram a ficar três dias acampados no quintal da casa de uma família que os acolheu. Toda ajuda era bem-vinda na hora de economizar dinheiro, acampando em espaços naturais públicos que encontravam pelo caminho ou negociando preços melhores em campings privados. Deu certo: no total eles gastaram apenas mil reais cada um, isso contando com os 400 reais da passagem de ônibus de volta de Montevideo até Florianópolis.

Ismael conta que diferente do que a maioria das pessoas pensam, a parte mais difícil da viagem não foi o desgaste físico ou carregar a Estopa junto pra lá e pra cá. Aliás, a Karina ressalta o quanto a cachorrinha foi importante nos momentos difíceis: “Nós podíamos estar cansados e acabados, mas ela sempre vinha toda animada energizar a gente!”. Como não havia nenhuma pressa eles pedalavam apenas até o seu limite físico e paravam para comer e descansar sempre que estavam desgastados, numa média de 20 km por dia. Problema mesmo foi encontrar banho depois de passar a fronteira do Uruguai. “No Brasil, por causa dos postos de gasolina, com os caminhoneiros a gente conseguia um banho sempre. Mas lá no Uruguai não tem chuveiro em postos de gasolina. Pra conseguir banho lá foi mais sofrido, a gente teve que entrar em camping, pagar por chuveiro.” Além disso, o preço das coisas no Uruguai também assustou bastante. Eles contam que pra fazer uma refeição básica eles gastavam até o triplo do que eles gastariam no Brasil.

Além de tantas vivências, outra parte muito especial da viagem foi poder registrar todas essas experiências em vídeo e postá-las na internet enquanto elas aconteciam. No total, são doze episódios sobre essa jornada que estão disponíveis no canal O Bonito do Caminho lá no Youtube. Mas ao mesmo tempo em que gravar e editar os vídeos durante a viagem foi muito divertido, somado a todo o resto foi também muito trabalhoso e cansativo. Eles dizem que para a próxima viagem pretendem separar melhor as coisas, vão apenas gravar e quando chegarem de volta de viagem e deixar pra editar e postar apenas quando chegarem em casa.

Desde que começaram com o projeto a Karina e o Ismael abriram também um site na internet em que vendem plaquinhas para bicicletas com dizeres de conscientização sobre o trânsito. E foi da venda dessas plaquinhas durante o ano de 2015 que eles arrecadaram a quantia necessária para a próxima aventura. Dessa vez são os próprios colaboradores e seguidores que irão escolher o destino da família “metade humana, metade canina”, como eles estão dizendo por aí: há uns dois meses eles agregaram outra cachorrinha para a família: a Cachopa. E ao que tudo indica ela não vai querer ficar de fora das próximas andanças do casal.

Enquanto isso veja o primeiro episódio da viagem até o Uruguai.

DOCUMENTÁRIO DISCUTE RACISMO NO BRASIL COM EXPERIÊNCIAS DE INTERCAMBISTAS

Filme produzido por alunos da UFSC reflete sobre as percepções de estudantes belga e angolano

POR DANIEL BONFIM

“Ser negro é muito bom, mas eu não desejaria ser negro brasileiro, preferia que me tivessem matado na essência”, o depoimento do estudante intercambista angolano Abel Pedro do curso de Antropologia na UFSC foi registrado no mini-documentário “UAU – Percepções de um angolano e um belga em Florianópolis”. O filme explora as diferenças entre as experiências de Abel Pedro e Geoffroy Damant, estudante intercambista belga do curso de Agronomia na UFSC. Enquanto para o estudante branco e europeu Florianópolis é uma cidade amigável, receptiva e divertida, o estudante africano e negro tem na memória várias histórias de discriminação e racismo pra contar. Segundo o censo 2010 do IBGE, o estado de Santa Catarina tem 84% de brancos declarados, é o estado com maior proporção de brancos do país, seguido pelo Rio Grande do Sul e Paraná.

“UAU” foi desenvolvido pelos estudantes de Jornalismo da UFSC Renata Bassani, Felipe Figueira, Gabriela Damaceno e Clara Schnebel como trabalho final para uma disciplina da faculdade. O vídeo foi publicado no canal do youtube Correspondente Universitário, um outro projeto desenvolvido por Renata Bassani e Felipe Figueira quando eles mesmos foram fazer seus intercâmbios na Europa.  Na companhia de outros intercambistas de jornalismo eles produziram 45  vídeos sobre o choque cultural e as dificuldades que estudantes brasileiros encontram na Europa e América Latina ao sair de casa para o intercâmbio acadêmico. Renata Bassani conta que depois de viverem essas experiências fora do país eles perceberam que seria legal explorar também o choque cultural inverso, ou seja, dos estudantes estrangeiros que vem para o Brasil. Dessa reflexão e algumas discussões em sala de aula surgiu o questionamento: será que existe diferença entre ser um intercambista branco e europeu e um intercambista negro e africano em Florianópolis? “UAU” é a resposta. Renata Bassani conta que “a repercussão foi muito além” do que eles esperavam: completando apenas três meses desde sua publicação, o filme já está com cerca de 40 mil visualizações e um debate acalorado com mais de 160 comentários.

 

Para a haitiana Nahomie Laurore, estudante intercambista negra do curso de Jornalismo na UFSC, o mini-documentario é apenas reflexo do que acontece todos os dias na sociedade brasileira: “A minha impressão é que a xenofobia e o racismo é direcionada principalmente aos negros e pessoas vindas de países pobres”. As duas variáveis que causam o preconceito (cor da pele e condição social) constadas  por Nahomie Laurore podem ser observadas também em uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre desigualdade racial no Brasil, que indica que pessoas negras representam a maioria da população pobre no país: negros são 63,63% do total da população pobre, enquanto os brancos são 35,95%. “Quem cresceu em um país (se referindo ao Haiti) onde o ser-humano não é desvalorizado pela cor de pele vai ter dificuldade de lidar com o racismo no Brasil”, observa.

O Grupo Negro 4P – Poder para o Povo Preto, coletivo anti-racista auto-organizado por alunos de diversos cursos da UFSC, enxergou o documentário de maneira positiva e didática, principalmente para o público branco que muitas vezes não conseguem enxergar as dificuldades encontradas por negros em relações interpessoais. Em nome do coletivo, o estudante de Direito da UFSC, Guilherme Filipe Andrade dos Santos  disse que mesmo assim algumas coisas no mini-documentário incomodaram: “Por exemplo, a forma como foi retratada a vida dos dois. O Belga teve toda a sua rotina retratada, a vida dele foi mostrada de uma forma bem estabelecida. Enquanto o angolano foi retratado apenas dentro da universidade e com a utilização de trilha-sonoras tristes. A coisa (sic) ficou dicotomizado demais”.  O coletivo acredita que se o mini-documentário tivesse focado mais no cotidiano do angolano teríamos mais exemplos do racismo que ele sofre “na prática”.

Daniel Bonfim

O documentário “A Caminho da Copa” aborda o impacto social causado por megaeventos no Brasil

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O documentário brasileiro A Caminho da Copa foi desenvolvido pelo Ponto de Mídia Livre Pólis Digital, uma plataforma colaborativa de produção para mídias livres que trata de temas urbanos relevantes sob um contexto global.

O filme aborda opiniões diversas sobre o impacto que a preparação de megaeventos, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, têm no cotidiano de moradores de comunidades carentes em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Foram ouvidos desde intelectuais como Raquel Rolnik (relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada), interessados políticos como Juca Kfouri (deputado federal e formulador da Lei Geral da Copa) , até os próprios moradores, vítimas diretas da “limpeza social” que o governo se propôs a fazer no sentido de abrilhantar a vitrine brasileira para estrangeiros e mídia internacional. Ver pra crer.

Poder e Responsabilidade, interferências gráficas consideram super-heróis protegendo SP

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A arte sempre andou ao lado de tudo aquilo que transgride o cotidiano, reestrutura o pensamento e, principalmente,  reflete algum momento histórico-social importante. As manifestações que tiveram início em São Paulo como parte de um movimento contra o aumento da tarifa de ônibus, finalmente tomam conta do Brasil e envolvem a população em um sentimento de que é preciso sair às ruas e lutar por um futuro mais digno à nação.

Tomado por esse espírito revolucionário, Poder e Responsabilidade é uma série de interferências gráficas produzidas pelos publicitários brasileiros Alessandro Trimarco e Paulo Eugênio. O conjunto considera a participação de super-heróis nas manifestações brasileiras. Eles, que  surgiram como fugas emocionais daqueles que viviam à crise de 1929 nos Estados Unidos,  chegam aos protestos em São Paulo para defender o povo do abuso praticado pela polícia.

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Um estudo de similaridades genéticas entre familiares no projeto fotográfico de Ulric Colette

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Portraits Génétiques é um projeto fotográfico criado por Ulric Colette com o intuito de estudar as similaridades genéticas entre duas pessoas de uma mesma família. Para isso, o fotógrafo canadense espelhou em apenas um os retratos de irmãos e irmãs, pais e filhas, mães e filhas, etc. Enquanto alguns são a cara de um focinho do outro, em outros casos são justamente as diferenças que chamam a atenção de quem observa. Não apenas as genéticas, mas também notáveis diferenças de personalidade. Já nas imagens em que o gap geracional é maior,  podemos analisar o poder que o tempo exerce sob nossas características físicas. Confira.

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Alice X. Zhang e suas ilustrações inspiradas em filmes

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Quem Quer Ser um Milionário? (2008)

Pulp Fiction

Pulp Fiction (1994)

A designer e ilustradora digital americana Alice X. Zhang conquistou as características realistas de seu traço através da repetição. São dezenas de ilustrações em seu perfil na comunidade artística DeviantArt, a maioria retratos de personagens de cultura pop que exigiram mais de 4 horas no Photoshop para serem feitos. Em um recente projeto pessoal, Alice produziu essas ilustrações de temática cinematográfica. A bela série passa por filmes clássicos, artísticos, indies e blockbusters. Confira.

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